Não se apaixone pela solução

Christopher Vogler é uma espécie de roteirista dos roteiristas de Hollywood. Numa de suas aulas, ele afirma que um criador não deve se apaixonar pela solução.

Adotar tal abordagem pode levar a becos sem saída.

Eu já quebrei a cara me apaixonando pela solução. Há uns 10 anos, eu tinha uma base de dados para processar antes de uma análise de estoques. Não era absurdamente grande, mas também não era pequena: uma dúzia de planilhas, com umas 15 mil linhas cada.

Usei a minha ferramenta favorita, Excel VBA, ao invés de algum banco SQL. Remover duplicatas, juntar bases, essas coisas. O problema foi que o Excel 2007 não aguentou: os cálculos demoravam mais de meia hora, a planilha travava, e o pior, não dava para confiar na solução (alguma fórmula está errada ou o cálculo travou no caminho?).

Mesmo após ficar evidente que não era a melhor solução, havia a dúvida — faltam poucas semanas de trabalho, se eu recomeçar do zero, vai atrasar a entrega… ledo engano. Atrasou do mesmo jeito. Tive que quebrar muita pedra, e o resultado poderia poderia ser melhor.

A dica de Vogler é fazer o contrário: apaixone-se pelo problema, independente da solução. A história tem vida própria, ela escolhe o próprio final!

Trilha sonora: O mundo anda tão complicado — Legião Urbana

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Originally published at https://ideiasesquecidas.com on June 25, 2020.

Project Manager on Analytics and Innovation. “Samurai of Analytics”. Passionate about Combinatorial Optimization, Philosophy and Quantum Computing.

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